sábado, 6 de setembro de 2008

Textos de apoio ao professor

A globalização
A globalização não é um processo universal que atua da mesma forma em todos os campos da atividade humana. Ainda que se possa dizer que há uma tendência histórica natural para a globalização nas áreas de tecnologia, comunicações e economia, isso certamente não vale para a política (...)

Não acho que seja possível identificar a globalização apenas com a criação de uma economia global, embora este seja o seu ponto focal e sua característica mais óbvia. Precisamos olhar para além da economia. Antes de tudo, a globalização depende da eliminação de obstáculos técnicos, não da eliminação de obstáculos econômicos. Ela resulta da abolição da distância e do tempo. Por exemplo, teria sido impossível considerar o mundo como uma unidade antes de ele ter sido circunavegado no início do século XVI. Do mesmo modo, creio que os revolucionários avanços tecnológicos nos transportes e nas comunicações desde o final da Segunda Guerra Mundial foram responsáveis pelas condições para que a economia alcançasse os níveis atuais de globalização.

Fonte: Eric Hobsbawn. O novo século: entrevista a Antonio Polito. São Paulo: Cia. das Letras, 2000, p. 70-73.

O mundo e suas redes
O mundo tem uma distribuição desigual de recursos e também uma exploração desigual destes recursos. As redes são distribuídas desigualmente no mundo, em função das densidades humanas, do tempo que o espaço já tenha sido manejado, dos níveis de vida e do tipo de desenvolvimento econômico. As densidades e a integração das redes – particularmente estudadas pela Geografia – estão entre os principais critérios de observação das desigualdades do desenvolvimento no mundo. Hoje, toda a política nacional de desenvolvimento passa pelo desenvolvimento de infra-estrutura de comunicação e, normalmente, pela conexão às redes internacionais.

Fonte: Roger Brunet e Olivier Dollfus. Mondes Noveaux. Paris: Hachette/Reclus, 1990, p. 400.

As redes, a competitividade e a fluidez
Uma das características do mundo atual é a exigência de fluidez para a circulação das idéias, mensagens, produtos ou dinheiro, interessando aos atores hegemônicos. A fluidez contemporânea é baseada em redes técnicas, que são um dos suportes da competitividade. Daí a busca voraz de ainda mais fluidez, levando à procura de novas técnicas ainda mais eficazes. A fluidez é, ao mesmo tempo, uma causa, uma condição e um resultado.
Criam-se objetos e lugares destinados a favorecer a fluidez: oleodutos, gasodutos, canais, autopistas, aeroportos, teleportos. Constroem-se edifícios telemáticos, bairros inteligentes, tecnopolos. Esses objetos transmitem valor às atividades que deles se utilizam. (...)
O ritmo que se pede a cada objeto, para que participe eficazmente da aceleração desejada, supõem que se conheça de antemão os tempos de seu uso, as velocidades que se podem alcançar e os custos respectivos.

Fonte: Milton Santos. A natureza do espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo : Hucitec, 1997, p.218.




Nenhum comentário: